quarta-feira, 6 de maio de 2026

O fim da GALAX. Acabou mesmo?

O primeiro impacto foi o vídeo (short) do Ronaldo Buassali semana passada, informando sobre o encerramento da Galax. O que me veio à mente: a lembrança do fim da EVGA, o fim da Crucial, e no subconsciente talvez mais uma confirmação da decadência no PC DIY. Depois vieram as contra-notícias: a Galax não ia acabar, era uma "reestruturação", o nome e a marca continuam ...

Vamos separar os fatos de opiniões e narrativas. O que de fato aconteceu foi o fim de uma empresa. Sim, ela já era subsidiária da Palit. Então sim, a versão de que foi uma reestruturação também não está errada, mas concretamente, é o fim de uma "estrutura", equipes inteiras de pessoas, cargos, contabilidade própria, e do relacionamento comercial de representantes da marca como por exemplo o próprio Ronaldo. Logo, a versão dele faz total sentido. A empresa, por mais que fosse uma subsidiária e compartilhasse uma estratégia com a controladora, poderia definir uma identidade própria, controle de qualidade diferente, público alvo, segmentação, etc. No meio automobilístico isso é muito comum, grandes conglomerados, como a GM e Stellantis, possuem diversas marcas para faixas de preço, interesses, enfim públicos diferentes, resultando em produtos de qualidade e especificações muito distintas.

Mas a marca Galax vai continuar, publicou a Palit. Ver o comunicado oficial. Pode ser, mas isso é só uma promessa, talvez uma intenção, fica no futuro, enfim, não é um fato. De concreto nada e, mesmo que continue, já não teria o mesmo nível de independência. A integração faz sentido do ponto de vista econômico, não estou de modo algum criticando ou condenando.

 GeForce RTX™ 5080 HOF Gaming GALAX

Se compara com o fim da EVGA? Embora isso tenha me vindo a mente no inicio, de fato é bem diferente. A EVGA era uma empresa completamente independente e seu fim teve realmente mais impacto. E quanto à Crucial? É mais parecido, já ela também foi encerrada pela controladora (Micron). Mas acontece que aí também houve mais impacto no mercado, pois a Micron parou de vender produtos para o consumidor final.

Isso leva ao problema da perda de concorrência. Ora, não creio que uma controladora mantenha uma subsidiária para competir de verdade, canibalizar seu mercado. Então não vejo menos concorrência em geral. Mas com algumas exceções, aqui no Brasil não temos muita presença de Palit ou outras marcas controladas além de Galax, então se sai a Galax e elas não ocupam o lugar, aqui no Brasil em particular teríamos menos uma opção, e relevante.

E por fim, a decadência ou crise do mercado DIY. Pois o pano de fundo evidente é a pressão no mercado pela falta de insumos (notadamente RAM) e a competição implacável de outro segmento da indústria, datacenters para IA.

Neste ponto vamos citar o próprio comunicado da Palit sobre o assunto, transcrito pelo artigo no site WCCFTech:

"Optimize Supply Chain: Streamline production and logistics to better serve our international markets." 

Para surpresa de zero pessoas (pelo menos entre as que acompanham tecnologia). A consolidação advém pelo menos em parte da pressão por manter a margem de lucro diante dos custos crescentes na cadeia de suprimentos. Ou seja, sim, está relacionada pelo menos em parte com uma "crise no PC gamer".

Minha opinião pessoal é que não há motivo para desespero, operações corporativas deste tipo são comuns. No fundo já era o mesmo conglomerado, gerido pela mesma estratégia e servindo aos mesmos acionistas, eles estão enxugando custos. Mas um dos motivos pelos quais decidiram isso especificamente agora é significativo. E, segundo a Palit, a Galax continua. Ninguém perde garantia, e no curto prazo ao menos nada muda.